domingo, 27 de maio de 2018
Educação
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68% dos inscritos no Enem têm mais de 19 anos

Ana Daniela Aragão / 13 de setembro de 2016
Foto: Rafael Passos
Faltam 53 dias para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem 2016), que qualifica candidatos ao ensino superior e certifica quem ainda não tem o ensino médio. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) divulgou o perfil dos candidatos às provas deste ano. Na Paraíba, 68% dos inscritos (152.287 pessoas) têm mais de 19 anos e 67% já concluíram o médio, muitos, há anos, a julgar pela idade. Apenas 30% estão concluindo este ano ou nos próximos.

Comparando os dados deste ano e de 2015, por faixa etária, nota-se que houve uma queda no número de inscritos (-5,7%) no grupo dos menores de 16 anos. Nos demais, só crescimento. No geral, são 18.534 candidatos a mais (9,1%).

De acordo com o especialista em Educação, Severino Silva, o grande número de candidatos com idade acima dos 17 anos (que é quando geralmente se termina o ensino médio) se deve a, principalmente, três situações:  a procura por novas profissões por pessoas já graduadas; o contingente crescente dos que são barrados ano a ano na porta da universidade e a facilidade de se ter um certificado do ensino médio sem cursar.

O mercado

Segundo o professor Severino Silva, a procura por capacitação para novos mercados está atraindo os mais velhos e o Enem popularizou a volta à universidade. “Abriu portas para que os mais velhos queiram se capacitar mais e ser feliz no mercado de trabalho. Elas possuem outros cursos e procuram de mais”, disse.

A universidade

Tem o contingente, sempre crescente, dos que, apesar de um histórico de outros vestibulares, não foram bem sucedidos e estão tentando entrar no ensino superior.  “Os vestibulares costumavam ser mais difíceis, então muitos já tentam há tempos, antes mesmo do Enem. Eles passam por períodos onde tentam, não conseguem, passam um período sem fazer e depois voltam. O tempo vai passando e eles vão acumulando vestibulares”, declarou.

O certificado

Outro caso que pode acontecer, segundo ele, é de pessoas que não conseguiram concluir o ensino médio na idade adequada e veem no Enem uma oportunidade de ter um certificado. “Isto as motiva, mas não reflete uma qualidade educacional”, destacou.

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Histórias de quem já fez ou vai fazer o Enem

Maria de Lourdes Silva, 49, é pós-graduada em português e ensina crianças em escolas particulares. Porém, o mercado de trabalho começou a exigir que ela tivesse formação em pedagogia. Para isso, ela fez o Enem no ano passado. “Foi para concorrer a uma vaga no ensino a distância da UFPB. O meio de inserção era através do Enem. Não posso tentar Sisu ou outra coisa porque sou pós-graduada. Mas acabou que o curso da UFPB foi cancelado, então desisti de continuar. Não farei este ano. Como tenho magistério, ainda dá para ir trabalhando com crianças”, disse.

Joelson Oliveira, 22, é um exemplo de jovem que já passou dos 20 anos e que já possui uma coleção de vestibulares mal sucedidos porque precisa conciliar o trabalho com os estudos. Ele já tentou o Enem três vezes. A primeira vez foi em 2012 quando estava no 3º ano do ensino médio. “Na verdade, eu não sabia qual curso eu iria fazer e por isso não me dediquei muito no primeiro vestibular. Depois comecei a estudar ciências contábeis numa faculdade particular e tentei novamente porque quero estudar numa federal. Mas não consegui novamente. Nesse meio tempo, tranquei contábeis e comecei a fazer Recursos Humanos. Queria ir pra uma universidade federal porque a disponibilidade de horário é maior. Tem curso a noite e pela manhã. Então posso conciliar com o meu trabalho”, declarou.

Os mais jovens

O Inep também colhe dados daqueles com menos de 16 anos inscritos no Enem.  O número costuma ser baixo, mas mostra o interesse desses adolescentes em fazer o vestibular. Este ano, foram apenas 4% do total de inscritos na Paraíba. O especialista em Educação Severino Silva se mostra contra um adolescente de 15 anos, por exemplo, fazer o Enem, até mesmo por experiência. “Um adolescente dessa idade está em plena formação. Mesmo que ele saiba de tudo na escola, ele não tem estrutura emocional para assumir a responsabilidade de fazer um vestibular”, disse.

Para ele, os adolescentes sofrem pressão dos pais para entrar o quanto antes na universidade. Para alguns, a possibilidade de fazer um curso ainda no 1ª ano também os atrai. “Terminar o ensino médio com 17 anos é a idade ideal. Essa pressão de entrar o quanto antes na universidade, cria uma situação negativa para quem tem 18, 19 anos. Há um desmerecimento deles, por a sociedade achar que estão entrando muito tarde. Acontece que estes entraram no mercado de trabalho por volta dos 24 anos, idade perfeita parta as responsabilidades da profissão”, disse.

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“Estou no terceiro ano, vou fazer o Enem este ano, mas ainda não decidi o meu curso. Estou em dúvida entre nutrição e Educação Física. Só sei que se eu não conseguir nenhum, apelo menos ainda estou nova e posso ir tentando outras vezes. É a primeira vez que vou tentar e não estou me sentindo muito preparada, mas é preciso fazer” - Daniela Grigório, 16 anos.

 

“Fiz o Enem no 1ª ano, mas foi porque minha mãe insistiu. Estava muito despreparado em vários sentidos. Depois fiz no 2ª ano por conta própria e vi que havia conquistado mais confiança. Mas agora é que é pra valer. Prefiro fazer agora, no 3ª ano, porque estou certo do curso que vou fazer, que é arquitetura, e me sinto mais maduro. Pesquisei sobre o curso para ter certeza de que não vou me frustrar e desistir no meio da graduação. Acredito que muitos adolescentes fazem isso justamente porque entram muito cedo na universidade” - Higor Júnior Lira, 17 anos.

“Eu não acho que estou velha para entrar na universidade. Estou concluindo o 3ª ano e há tempos que decidi que vou ser médica. Venho me preparando e já vi muitos ficarem desenganados com o curso. Acredito que os mais jovens sofram pressão dos pais. E outros ficam empolgados em entrar na universidade o quanto antes. Eu sei que tem casos e casos, mas acredito que eu esteja bem. Já fiz o Enem nos outros anos e agora vejo que é melhor entrar neste momento” - Lorena Andrade, 18 anos.

 

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