terça, 17 de julho de 2018
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CRM interdita Unidade de Saúde no Ernani Sátyro por insegurança

Katiana Ramos / 10 de maio de 2018
Foto: Rafael Passos
Cinco médicos foram agredidos ou sofreram ameaças de violência na região da Grande João Pessoa nos últimos três anos. Estes foram os casos registrados oficialmente no Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB). No entanto, a diretoria do órgão disse que praticamente toda semana chegam relatos de agressão aos profissionais, sobretudo os que atuam na rede pública de saúde.

Na última terça-feira, uma médica que trabalhava na Unidade de Saúde da Família (USF) Jardim Sepol, no bairro Ernani Sátiro, na Capital, sofreu ameaça de morte por parte de uma usuária do posto. Por conta disto, o CRM interditou eticamente a unidade para proteger a profissional.

“Nós adotamos essa conduta de 2016 para cá, quando começaram a chegar denúncias de situações desse tipo, com ameaça e violência. Mas, essa demanda tem aumentado a cada dia, porque os profissionais entram em contato conosco e relatam os problemas. Como eles não registram boletim de ocorrência ou outro procedimento oficial, os casos ficam subnotificados”, explicou o diretor de Fiscalização do CRM-PB, João Alberto Pessoa.

Os usuários da USF onde a médica atuava informaram que ela é uma boa profissional e nunca houve relatos de atritos com os moradores atendidos na unidade.

“Eu não tenho o que falar dela. Sempre muito prestativa, escutava a gente. Uma médica excelente. O que acontecia é que como tem sempre muita gente aguardando atendimento, têm pessoas que ficam sem paciência e começam a reclamar. Mas não é culpa dela”, disse a aposentada Ozanete Pereira.

Sem o atendimento da médica que atende aos moradores do Jardim Sepol muitos usuários estão preocupados em saber se terão assistência. “Teve essa situação, mas a gente não sabe como vai ficar o atendimento. No meu caso, tenho um filho com diabetes e praticamente todos os dias estou no posto com ele. Hoje eu só consegui a receita porque outra médica me atendeu. Mas, se eu precisar de novo, não sei como vai ser”, disse a dona de casa Josefa Lima.

Mais agressões. O representante do CRM-PB denunciou que situações de violência e ameaça contra médicos acontecem em outras unidades de saúde da Capital e também nos hospitais.

João Alberto destacou que o Conselho vai continuar a fiscalização nos postos de saúde e explicou que as interdições éticas realizadas pelo Conselho impedem, exclusivamente, o médico de atender nas unidades com o intuito de preservar a dignidade do atendimento médico à população e a segurança do ato médico.

Posicionamento. Por meio da assessoria de comunicação, a Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa, informou que a situação envolvendo a médica da USF do Ernani Sátiro foi pontual e que a profissional não registrou o caso na direção do Distrito Sanitário ou na Gerência de Atenção à Saúde. A assessoria alegou ainda que a unidade conta com o apoio da Guarda Municipal e da Polícia Militar para garantir a segurança no local. Já sobre o atendimento a população, a assessoria informou que está reunindo os gestores para discutir uma estratégia e ações juntamente com a Guarda Municipal, para que não haja prejuízo aos usuários.

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