domingo, 27 de maio de 2018
Cidades
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Comerciantes se instalam sem autorização em praças e canteiros nos bairros de JP

Bárbara Wanderley / 06 de Março de 2018
Foto: NALVA FIGUEIREDO
Terrenos, canteiros, praças e calçadas de João Pessoa são frequentemente ocupadas pelo comércio informal. Um exemplo é o canteiro da Avenida Hilton Souto Maior, nas proximidades da rotatória que dá acesso à Mangabeira, onde é possível encontrar carros usados para venda, serviço de chaveiro, restaurante, água de coco e até feijoada. Esses comerciantes não têm a devida autorização para uso do solo e nem mesmo para funcionamento.

No local, os comerciantes que conversaram com a reportagem disseram já trabalhar dessa forma há anos. “Se me tirarem daqui vou para ali, se me tirarem dali vou para acolá. Eu trabalho com isso há 22 anos, não tenho outro meio de vida nem dinheiro para pagar o aluguel de uma loja”, disse um vendedor de veículos da área.

Situação semelhante ocorre na Rua Ivanice Martins Câmara, no Bessa. Na calçada trabalham vendedores de coco, de abacaxi e de cofres. No final de semana, tem feijoada e de vez em quando aparece um vendedor de pufes e poltronas. Como o passeio público é muito largo, a atividade não chega a atrapalhar a passagem de pedestres. Além disso, o vendedor de cocos Carlos Antônio garantiu que tem autorização do dono da casa para ficar na frente do portão da residência.

Carlos contou que vive de vender cocos na rua há 20 anos e até tem uma parceria para manter a higiene do local: uma empresa da área de jardinagem que recolhe os côcos vazios para fazer adubo. Ele disse que tem cadastro na prefeitura e paga uma taxa pelo uso do solo.

Dona Maria Olívia mora na vizinhança e toma água de côco no local diariamente. Ela contou que não se incomoda com os vendedores de rua, mas tem muito cuidado com os alimentos. “A única coisa que eu consumo na rua é água de coco, não costumo comprar comida. Tenho medo de leptospirose porque aqui no Bessa tem muito rato, então também não como a carne do côco com aquelas pazinhas que eles fazem”, disse.

Fiscalização. O chefe de fiscalização da Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedurb), Josenildo Belmont, afirmou que muitas vezes, essas situações são toleradas porque a prefeitura entende que há uma prestação de serviço para aquela comunidade ou bairro no qual o comerciante trabalha. “Um exemplo é a Praça da Paz. Lá apareceu um aluguel de motos de brinquedo para crianças. As pessoas gostam e usam muito e a Sedurb entendeu que eles poderiam ficar desde que não houvesse prejuízo das outras atividades da praça”, contou.

Ele explicou que os ambulantes e informais devem manter a higiene no local onde trabalham e não podem atrapalhar o trânsito de pedestres. A própria população pode denunciar se o comércio está deixando sujeira nas ruas e calçadas. “Até agora, não recebemos nenhuma denúncia sobre essa área da Avenida Hilton Souto Maior”, disse Josenildo.

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