terça, 16 de janeiro de 2018
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Água que abastece a cidade de Patos, Sertão da Paraíba, só deve durar até fevereiro

Beto Pessoa / 29 de dezembro de 2017
Foto: Cícero Araújo
A água que abastece a cidade de Patos, Sertão da Paraíba, só deve durar até fevereiro de 2018. A previsão é do secretário de Comunicação do município, Luiz Gonzaga, que se disse assustado com o cenário de seca e estiagem para o próximo ano, com diversos reservatórios em situação crítica.

Hoje a água de Patos vem dos reservatórios de Coremas e Mãe D’água, que só têm, respectivamente, 4,27% e 3,13% da suas capacidades máximas preenchidas. “São os dois reservatórios que suprem a região. Mas eles estão entrando no volume morto, as previsões são as mais catastróficas possíveis, que só se chega a fevereiro ou março”, explicou Luiz Gonzaga.

O açude de Jatobá e a Barragem de Farinha, dois dos principais reservatórios da região de Patos, também estão com volume muito abaixo do esperado, respectivamente com 1,90% e 2,01% da capacidade máxima, segundo dados divulgados pelo monitoramento da Agência Executiva de Gestão das Águas da Paraíba (Aesa).

Toda essa escassez já tem sido refletida no dia a dia da população, que em algumas regiões tem ficado sem abastecimento, destacou o secretário de Comunicação de Patos.  “Tem bairro que está há uma semana sem receber água. Não sabemos até que ponto é a falta de água ou pode estar havendo baixo abastecimento da Cagepa, mas para a gente que mora aqui é assustador’, disse Luiz Gonzaga.

O medo do secretário é explicado quando analisadas as alternativas hídricas da região em contraposição aos índices populacionais e econômicos. O fato de ser uma das principais cidades do Sertão reforça a necessidade do abastecimento regular. “O açude de Jatobá está zerado. A Barragem da Farinha também e Capoeira, terceiro manancial, está com baixíssimo conteúdo. A alternativa é carro-pipa, mas trazer de onde? O reservatório mais próximo é o de Cachoeira do Cego, na região da Catingueira, mas ele também está com volume baixíssimo, quase seco”, disse o secretário Luiz Gonzaga.

Má gestão

Uma das razões para este cenário, destaca o secretário, é a histórica má gestão das águas na Paraíba.

“Falta água também porque tivemos problemas de estouro de adutora. A tubulação é de fibra, feita ainda no governo de Zé Maranhão. De lá para cá, nada foi feito”, disse.

Cagepa

A Cagepa informou que Patos precisa hoje de aproximadamente 1.200 m³ de água por hora (m³/h) para atender a demanda da população, que neste período de altas temperaturas é ainda maior. Entretanto, tem sido oferecido apenas 750 m³ de água por hora. A principal justificativa da baixa oferta é a queda do volume dos mananciais. Por conta deste cenário, a Cagepa traçou um cronograma para o abastecimento da cidade, que foi dividida em 4 regiões, num esquema 3x1 cada: três dias de abastecimento para um dia sem água.

A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Infra-estrutura, Recursos Hídricos, Meio Ambiente e Ciência e Tecnologia (SEIRHMACT), mas não teve resposta.

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