sexta, 23 de fevereiro de 2018
Campina Grande
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Racionamento: estava ruim, mas vai piorar

Fernanda Figueirêdo / 16 de julho de 2016
Foto: Chico Martins
“Não há nada tão ruim que não possa piorar, já diz o ditado”. Foi esse o resumo que o proprietário de um restaurante no bairro Cruzeiro, em Campina Grande, fez a respeito da situação hídrica que ameaça seu negócio. Ele e outros empresários já começam a fazer planos de como seus estabelecimentos devem funcionar com o novo cronograma de distribuição da água do açude Epitácio Pessoa, que está com apenas 8,4% de seu volume total. A partir da próxima segunda-feira, o racionamento será ampliado de 84 horas para 101 e 112 horas, dependendo da zona da cidade.

Pelo menos é isto o que informou a Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa). O gerente regional do órgão, Ronaldo Meneses, divulgou na semana passada que o racionamento será feito por zonas, medida emergencial para reduzir o consumo da água do reservatório, que se encontra com volume em nível crítico. “Dividimos a cidade em duas zonas, a primeira é abastecida das 5h de segunda-feira à meia-noite de quarta-feira, enquanto a segunda começa a ser abastecida na quinta-feira às 5h e termina às 13h do sábado”, explicou.

A esse respeito, Walter Pereira, dono de bar e restaurante no bairro Cruzeiro, que pertence à Zona 1, lamenta não ter previsto a falta de água no município como um problema que pudesse atrapalhar seus planos. “Construí meu negócio há 20 anos. Naquele tempo, se alguém me dissesse que hoje estaríamos passando por isso, provavelmente eu não acreditaria. Não tenho se quer espaço para colocar caixas de água na parte superior do prédio, me viro com caixas e reservatórios que ocupam mais da metade do espaço da minha cozinha”, disse.

Walter, que trabalha com quatro funcionários e gasta em média 300 litros de água por dia, lembra que enfrentou o último racionamento, entre 1998 e 1999, quando Boqueirão atingiu capacidade mínima histórica de 14,9%, com cerca de 60 milhões de metros cúbicos. “Mas foi muito diferente desse, tinha água quatro dias por semana. Agora tenho uma caixa de 500 litros, um tambor de 200, e mais uns cinco que guarda 100 litros cada e ainda acho que não vai dar para passar. Já comprei mais dois e farei o teste se a água vai dar para os dias de racionamento”, afirmou.

Plano B. Já o gerente de um dos hotéis mais procurados da cidade, localizado no bairro Mirante, teme que o armazenamento de água e a conscientização de funcionários e clientes não seja suficiente para controlar o problema hídrico que assola o município.

“Estamos driblando o atual racionamento, de sábado a quarta-feira, já dentro do limite, apertando o laço para não deixar que o hotel fique sem água. Temos uma cisterna de 80 mil litros. Agora, diante do anúncio de menos dias sem água na torneira, devemos reunir a administração juntamente com o chefe de manutenção para pensar em um plano B, que provavelmente será o abastecimento de carro-pipa”, disse Washington.

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