quinta, 24 de maio de 2018
Campina Grande
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Paraíba pode ter o primeiro caso do Brasil de transmissão de chikungunya na gestação

Nice Almeida / 27 de junho de 2016
Foto: Divulgação
Depois da descoberta da transmissão da zika na gestação, que causa microcefalia nos fetos, agora é a chikungunya quem começa a assustar as grávidas. É que a Paraíba pode ser o primeiro Estado do Brasil a registrar o contágio da doença de mãe para filho, ainda no período da gravidez.

O caso que está sendo investigado vem do município de Cacimba de Dentro. Uma gestante que deu a luz há 12 dias teria transmitido a chikungunya para o bebê, que está internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital da FAP, em Campina Grande. A mãe da criança teve sintomas da doença nos últimos dias da gestação e durante o parto ainda apresentava esses sinais.

De acordo com as informações, o bebê teria nascido sem problemas, mas após cinco dias começou a apresentar os sintomas da doença, como febre e convulsões e precisou ser internado. O quadro clínico dele é regular.

A equipe de medicina fetal da Secretaria de Saúde, liderada pela médica Adriana Melo, está à frente das investigações. Os exames que constataram a presença do vírus, tanto na mãe quanto no bebê, foram realizados por pesquisadores do Instituto Paraibano de Pesquisa Professor Joaquim Amorim Neto (Ipesq), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas (Facisa). Segundo os pesquisadores, embora existam casos de transmissão de chikungunya da mãe para o bebê, durante a gestação, este pode ser o primeiro caso confirmado no Brasil.

Responsável pelas pesquisas sobre a relação da microcefalia com o vírus zika, a médica Adriana Melo explicou que os problemas causados pela transmissão vertical do chikungunya já vinham sendo estudados pelos pesquisadores de Campina Grande. Ainda segundo a pesquisadora, apesar de não causar malformações, como a microcefalia, a chikungunya também pode acarretar danos neurológicos nos bebês. 

Nesta segunda-feira às 10h, uma entrevista coletiva será concedida pela equipe técnica do hospital e pesquisadores das doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegipty para confirmar, por meio de exames, se a doença do bebê é realmente chikungunya e quais os próximos passos no tratamento.

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