sexta, 28 de julho de 2017
Campina Grande
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Menina é morta em motel e crime mostra permissão de entrada de menores

Giovannia Brito / 14 de julho de 2015
Foto: Chico Martins
O Ministério Público do Trabalho vai desencadear uma operação de caráter imediato nos motéis de Campina Grande para exigir o cumprimento do Estatuto da Criança e do Adolescente, que prevê a proibição da entrada de menores de idade em motéis sem acompanhamento dos pais ou com autorização. A decisão foi tomada depois do assassinato de uma adolescente de 17 anos, dentro de um estabelecimento da cidade. O namorado dela é o principal suspeito. Ele está sendo acusado pela irmã da vítima, uma garota de 14 anos de idade, que também estava no quarto do motel com outro rapaz.

O acusado de atirar se chama Joelson (a reportagem não conseguiu o sobrenome do rapaz) e o outro foi identificado como Luciano. Os dois são maiores de idade. A Promotoria da Infância e da Adolescência já recebeu a informação da Polícia Civil de que os quatro entraram sem que os funcionários do motel tenham solicitado a identificação deles.

As duas irmãs saíram de casa, no bairro do Pedregal, no início da noite do último domingo, informando que iriam visitar uma tia no Santo Antonio. No entanto, encontraram os rapazes em um Fiat Uno, ficaram conversando e depois foram convidadas para ir ao motel. “Eles foram todos para um quarto, onde consumiram cachaça com refrigerante. Pegamos o depoimento da irmã da vítima, e ela nos contou que estava dormindo e acordou com o barulho da discussão da irmã com o namorado. Logo em seguida, ele efetuou o tiro no rosto da garota com um revólver”, afirmou o delegado de Homicídios, Francisco de Assis.

Após matar a adolescente, Joelson teria tentado matar a irmã da vítima para que ela não o denunciasse, mas foi impedido por Luciano. “A garota nos contou que ele foi pra cima de Joelson e implorou para que ele não a matasse. O Joelson então obrigou o amigo a lhe dar fuga”, disse. A adolescente foi colocada dentro do carro, e os três saíram em alta velocidade derrubando o portão do motel. “Ela foi deixada em casa, e ameaçada de morte caso contasse alguma coisa pra Polícia”, acrescentou.

Os funcionários do motel, assustados, foram verificar o que havia acontecido no quarto, e se depararam com a menina morta, com um tiro no rosto. De acordo com o delegado, ela teria sido assassinada depois que Luciano havia descoberto que ela estava namorando outro rapaz. “Joelson também já estava com raiva porque ela havia se recusado a ter relações sexuais com ele porque estava menstruada”, disse.

As câmeras de circuito interno do motel registraram a fuga e a placa do Fiat Uno KHG-5652-PB. Porém, ao verificarem no sistema, a Polícia constatou que a placa pertencia a uma moto Biz vermelha.

Fiscalização: MPT vai apertar o cerco

O procurador-chefe do MPT, Eduardo Varandas, informou que vai iniciar uma investigação nos motéis de Campina Grande e vai tentar firmar um Termo de Ajustamento de Conduta com os proprietários de motéis. “Esse crime mostra que não está existindo fiscalização no cumprimento da legislação e precisamos chamá-los a responsabilidade. Não seria necessário nenhum TAC, visto que já existe uma lei federal que proíbe a entrada de menores, mas infelizmente não a lei está sendo ignorada”, destacou.

Além de Campina, o MPT irá estender a fiscalização para as demais regiões do Estado. “A segunda etapa da nossa operação será em Campina Grande e deve começar imediatamente. Esse assassinato expõe um problema grave e que precisa ser combatido urgentemente. Depois de Campina, vamos para a etapa três, em Patos e região, e a etapa quatro, em Sousa, Cajazeiras e municípios vizinhos”, disse.

Ele lembrou que um TAC firmado com os proprietários dos motéis de João Pessoa, reduziu significativamente o número de crimes registrados envolvendo crianças e adolescentes dentro dos estabelecimentos. “De início houve muita resistência pelos proprietários, mas depois eles entenderam que o termo oferecia segurança também para todos. Mas o preocupante é que além do TAC existe uma lei, que proíbe a entrada de menores e não vinha sendo cumprida”, declarou.

Promotoria firmou TAC em 2007

A Promotoria da Infância e Adolescência informou que existe um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado com os proprietários de motéis da cidade, determinando a identificação de qualquer pessoa que venha a entrar nesses estabelecimentos, bem como, a anotação da placa do veículo.

O promotor Herbert Targino acrescentou ainda que entrou em contato com a Polícia Civil para convocar os donos a se explicarem. “Pedimos também que seja apurada a co-responsabilidade da exploração sexual do proprietário do motel e os funcionários que permitiram a entrada dessas quatro pessoas sem nenhum documento”, revelou Targino.

A reportagem tentou entrar em contato telefônico com os responsáveis pelo motel, mas não conseguiu.

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