domingo, 18 de fevereiro de 2018
Campina Grande
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Boqueirão agoniza: cianobactérias se multiplicam e tratamento será reforçado

Fernanda Figueirêdo / 24 de junho de 2016
Foto: Chico Martins
O reservatório Epitácio Pessoa, o Boqueirão, é um dos que necessitam com urgência receber as águas do Rio São Francisco para afastar o perigo da contaminação da população por toxinas causadas por cianobactérias, que se multiplicam à medida que o volume do açude baixa. Mas, o cronograma do Governo Federal prevê que a obra seja concluída até dezembro e a água chegue no primeiro trimestre.

Temendo que seja tarde demais, a Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa) está procurando alternativas de tratamento para conter estes microorganismos. De acordo com o gerente regional da Cagepa, Ronaldo Meneses, nas próximas semanas a companhia deve decidir qual processo deverá ser adotado como reforço ao tratamento da água que abastece 19 cidades no Agreste.

“Já existem muitas propostas, estamos recebendo fabricantes e fornecedores, e ouvindo os pesquisadores a respeito da alternativa que melhor se adéque à característica de custo-benefício. O tratamento com membranas custa em média R$ 1 milhão, por mês. Ainda temos opções como adição de ozônio à água, adição de carvão ativado no leito filtrante, entre outras. Precisamos agir rápido, pois o nível do manancial está diminuindo e a concentração de cianobactérias aumentando”, explicou.

Para o professor doutor em Recursos Hídricos da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), Janiro Costa Rego, a transposição acabaria com todo o problema hídrico de Campina Grande, embora ainda esteja aparentemente distante de ser concretizada. “Para impedir o risco de contaminação da água e imediato corte de abastecimento do açude de Boqueirão, uma das poucas soluções seria a chegada da água do São Francisco nesse período de estiagem, o mais rápido possível. Mas existem obstáculos ainda muito grandes a serem transpostos para que essa obra termine até dezembro”, avaliou.

Janiro, que também é membro do Conselho Estadual de Recursos Hídricos, visitou a obra há aproximadamente dois meses e disse que os principais empecilhos ao término da obra em tempo hábil são as seis estações de bombeamento concentradas no eixo leste e as barragens que devem ser construídas e enchidas com água do Rio São Francisco neste percurso.

“Algumas barragens se quer estão concluídas, e das seis estações de bombeamento, apenas duas estão em fase de teste, as demais ainda estão em processo de construção e instalação. Poderia haver um adiantamento da obra para a água chegar até antes de dezembro, só é necessário vontade política de reestruturar o cronograma e um estudo técnico de como se poderia acelerar e concentrar as obras nesse eixo, tarefa que seria do Ministério da Integração junto às construtoras”, disse Janiro.

O professor explicou ainda que Campina Grande e demais cidades abastecidas por Boqueirão consomem atualmente 650 litros por segundo, enquanto o Eixo Leste da transposição terá uma vazão de 10 mil litros por segundo, com uma máxima de 28 mil litros por segundo.

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