quinta, 18 de outubro de 2018
Campina Grande
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115 açudes com risco de toxinas na Paraíba

Francisco José / 29 de julho de 2016
Foto: Chico Martins
A partir de segunda-feira, 1º de agosto, o Laboratório de Ecologia Aquática da Universidade Estadual da Paraíba passará a fazer análise bacteriológica semanal dos 115 açudes que integram o sistema de abastecimento da Cagepa nas regiões do Alto Piranhas, Borborema, Brejo,  Espinharas, Litoral e Rio do Peixe. O LEA já está fazendo esse trabalho no Açude Epitácio Pessoa, no município de Boqueirão, responsável pelo abastecimento de água de Campina Grande e mais 18 municípios.

À  exemplo do que já ocorre em Boqueirão, a preocupação da Cagepa, segundo o professor Etham Barbosa, coordenador do Laboratório, é com a proliferação de cianobactérias que, em caso de quebra, liberam toxinas altamente danosas à saúde humana. No Açude Epitácio Pessoa, A última análise da água na área de captação flutuante, revelou um valor acima de 10 mil células de cianobactérias por ml. A análise da água que passou pela Estação de Tratamento de Gravatá (município de Queimadas) apontou a existência de 0,1 micrograma por litro de água de cianotoxinas.

“Esse valor é 10 vezes menos do que o permitido pela Portaria 2914/2011 do Ministério da Saúde”, disse o professor Etham Barbosa, assegurando que a água do Açude de Boqueirão, ainda está dentro dos padrões de potabilidade recomendados pelo Ministério da Saúde. Etham coordena uma equipe de 10 profissionais para contagem de células e análise de toxinas.

Plantas alimentadas por esgoto e fertilizante

No Açude de Boqueirão, existem plantas macrófitas aquáticas (parecidas com o coentro), que competem com as cianobactérias  na busca por nutrientes como nitrogênio e fósforo, resultantes da presença de fertilizantes e do despejo de esgotos domésticos na bacia do açude. A professora Weruska Brasileiro, do Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental da UEPB, disse que, como o açude só está 8% de sua capacidade, o número de cianobactérias existentes na água pode oscilar de um dia para outro, para mais ou para menos. “As cianobactérias estão logo cedo na superfície mas não suportam a incidência dos raios solares e submergem e só aumentariam de quantidade, se houvesse maior concentração de nutrientes”, explicou Weruska.  No entendimento de Weruska Brasileiro, a concentração de sais pode contribuir para a redução da quantidade de cianobactérias.  Além do LEAda UEPB a água de Boqueirão passa por uma contraprova  da Compesa, Companhia Pernambucana de Saneamento.

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