domingo, 20 de maio de 2018
Água
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Procurador diz que água do açude de Poções foi desperdiçada

Wênia Bandeira / 17 de Maio de 2018
Foto: Chico Martins
“Mais de 50% da água do açude de Poções foi desperdiçada criminosamente pela empresa PB Construções”. A acusação é do membro do Comitê de Gestão de Recursos Hídricos (CGRH) do Ministério Público da Paraíba (MPPB), o procurador Francisco Sagres. Ele esteve no local na última terça-feira e disse que as decisões foram tomadas sem conhecimento técnico.

De acordo com o procurador, foi sugerido fazer uma ensecadeira – uma espécie de barramento – para que a água do manancial não dificultasse o início das obras. A empresa não teria aceitado para poder fazer uma economia financeira.

“A obra podia ser feita com um barramento pequeno porque a entrada da água é pequena, mas a empresa com sacanagem não quis. Fizeram isso sem necessidade, porque os engenheiros concordam com esse barramento. A empresa disse que gastaria R$ 1,1 milhão, mas eu tenho certeza que poderia ser feito com R$ 10 mil”, afirmou Francisco Sagres.

Esta descarga de fundo foi autorizada pelo MPPB, mas o membro do CGRH afirmou que este documento foi expedido sem técnicos irem até o local e verem a situação hídrica. Ele lamentou o fato em razão do abastecimento das cidades da região.

“Por causa disso, agora está sendo retirada água de Sumé. Poções já estava em estado crítico e agora está bem pior. Eu acompanho de perto e sei do sofrimento do povo daquela região”, acrescentou.

Ele disse que espera que o prazo seja cumprido e que a obra seja entregue para a população. A obra deveria ter sido iniciada no dia 2 de abril e precisa ser entregue até o dia 2 de agosto. A empresa iniciou nessa quarta-feira (16) a instalação no lugar.

“Graças a Deus, Boqueirão tem água que dá para três anos, mas não significa dizer que não temos que jogar água lá dentro. A Transposição precisa voltar a jogar água lá e isso só vai acontecer quando estas obras forem encerradas”, falou.

O presidente da Agência Executiva de Gestão das Águas (Aesa), João Fernandes, falou que não há explicação para este atraso. “Na terça-feira começaram a limpar o terreiro, estavam se instalando, colocando escritório, equipamentos, caçambas, retroescavadeira, enfim prorroga-se 120 dias a entrega da obra”, lamentou.

A reportagem tentou contato com a empresa PB Construções, mas até o fechamento desta matéria as ligações não foram respondidas. João Fernandes ainda disse que em Camalaú, a obra está em andamento, mas sem agilidade.

“Começou há 15 dias, está sendo feito, mas podia ser mais rápido. Ao meu ver, eles estão demorando demais para dar andamento a construção”, falou. Ele ainda disse que na última segunda-feira aconteceu uma reunião da empresa com Ministério Público Federal (MPF) sobre os atrasos, mas não entendeu porque não houve punição. A assessoria de imprensa do MPF informou que a empresa não foi penalizada porque está dentro do prazo, que se encerra em agosto. A transposição do Rio São Francisco foi paralisada no dia 20 de março para que as obras pudessem ser iniciadas em 2 de abril.

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