segunda, 16 de julho de 2018
Água
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Assoreamento de açudes prejudica águas do reservatório

Beto Pessoa / 03 de janeiro de 2018
Foto: Reprodução
Além da falta d’água, os reservatórios da Paraíba têm enfrentado o contínuo problema do assoreamento, bancos de areia que se formam no leito dos açudes e barragens, diminuindo a capacidade de armazenamento desses espaços.

O problema afeta não somente as águas que ainda restam nesses reservatórios, como também aquela que está por vir, explica o pesquisador Francisco Jácome Sarmento, do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental (Deca) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB).“A Barragem de Boqueirão, que abastece Campina Grande e mais 17 cidades, foi projetada com 535 milhões de metros cúbicos nos anos 50, em 60 anos ela já perdeu mais de 60 milhões de metros cúbicos de acumulação. No lugar de ter água, terá material sólido”, disse o professor.

Para o engenheiro, o desassoreamento é uma solução em casos específicos. “No caso de Boqueirão, segundo maior reservatório da Paraíba, seria interessante porque você retira 60 milhões de metros cúbicos do fundo do Boqueirão, ganhando mais espaço para a água da transposição do Rio São Francisco, já que essa será uma água cara”, disse Francisco Jácome Sarmento.

O professor explica que o desassoreamento pode ser uma estratégia interessante para a reserva dessas águas. “É preciso estudo e planejamento. A Paraíba vai pagar em torno de R$ 80 milhões ao ano pelas águas do Rio São Francisco. Quando você retira esses sedimentos, você tem mais espaço para guardar essa água, bem como água da chuva”, disse.

Inviável

Em outros casos, reverter o processo é inviável, por conta dos altos custos envolvidos, explica Gerald Souza, gerente de operações de mananciais da Agência Executiva de Gestão das Águas (Aesa). “Em açudes pequenos é até possível retirar a areia, mas nos maiores sairia mais caro desassorear que construir açudes novos”, disse.

A Barragem de Acauã, por exemplo, “retirar essa areia requer gastos altos, em açudes antigos fica inviável, pois se gasta aproximadamente R$ 200 por metro cúbico retirado”, explicou Gerald Souza.

Apesar do cenário, o especialista da Aesa explica que o assoreamento não chega a prejudicar o acumulo de água. “O processo erosivo é natural, sobretudo no Sertão. Todo ano esses açudes recebem sedimentos. É um processo contínuo e temos que lidar com ele. O verdadeiro prejuízo não é causado por esse assoreamento, mas sim pela falta de chuvas”.

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