domingo, 20 de maio de 2018
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Abatedouros ilegais se mudam para o interior par fugir da fiscalização

Ainoã Geminiano e Lucilene Meireles / 09 de Maio de 2018
Foto: Nalva Figueiredo
Numa demonstração de ousadia, os abatedores clandestinos de carne bovina se mudaram para o interior, como forma de fugir da fiscalização em João Pessoa e continuar o abate sem regras, fornecendo ‘carne suja’ à população. A informação é do fiscal do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Vandberg Barbosa Braz, que comandou, no último final de semana, uma ação de fechamento de dois abatedouros clandestinos no município de São João do Rio do Peixe, no Sertão paraibano. O agravante dessa última ação é que os donos dos locais disseram que forneciam para um grande distribuidor do Estado, indicando que a ‘carne suja’ estava indo para qualquer lugar da Paraíba, incluindo feiras livres e supermercados.

A ação em São João do Rio do Peixe foi feita a partir de denúncias da população e encontrou falhas graves como falta de higiene e de inspeção pelos órgãos competentes, instalações e equipamentos precários, operários sem uniformes e em condições inadequadas de trabalho. Problemas comprometem a qualidade da carne e, já que boa parte abastece grandes cidades, como Campina Grande e João Pessoa, além das feiras livres, colocam em risco a saúde da população.

Segundo Vandberg, esses dois abatedouros funcionavam na zona rural, os pontos bastante escondidos, onde os fiscais só chegam se houver denúncia. “Um morador nos repassou a informação sobre esses dois pontos. Informou, inclusive, o melhor horário para fazer o flagrante. Relatou que os restos de fezes e sangue iam direto para a superfície do solo. Em um dos locais, havia um tanque cheio de urubus em volta e um líquido que contamina o lençol freático. No outro, os restos eram descartados em um córrego, seguindo para um rio, cuja água é utilizada pela população”, contou.

Apesar da fiscalização, Vandberg admite que pode existir abate clandestino em qualquer região do Estado. Segundo ele, abatedouros registrados bovinos existem três, sendo um em Puxinanã, um em João Pessoa e outro em Santa Rita. “Como fizemos algumas interdições anteriormente, os donos começaram a fazer o abate clandestino na zona rural, que é mais escondida, em horários diferenciados. Agora temos que fazer um trabalho muito grande com a polícia, Ministério Público, para conseguir coibir”.

Em João Pessoa, a situação ainda não está zerada e o auditor acredita que ainda existam abatedouros clandestinos. Segundo ele, o abate começa sempre no final da tarde e se estende durante a noite. “O objetivo é burlar a fiscalização. Se a população não denunciar, não tem jeito”, alertou.

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