quinta, 21 de setembro de 2017
Cidades
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Reportagem especial: A velha e nova ‘Jotapê’ nos seus 430 anos de existência

Aline Guedes / 05 de agosto de 2015
Foto: Rafael Passos
Diante dos 500 anos de colonização, João Pessoa é uma nobre senhora de 430 primaveras. O antigo tem seu charme, mas João Pessoa quer ser grande, moderna, quer ser ‘Jampa’; vanguardista e antenada com seu tempo.

No entanto, segundo o urbanista Edson Leite, em alguns aspectos, estamos presos ainda ao século passado. A cidade cresceu, floriu no turismo e oportunidades de emprego, ao passo em que se enrolou em problemas próprios da metropolização: favelas, trânsito caótico e violência. Nos últimos 15 anos, João Pessoa vem ganhando novos contornos de futuro ainda com as esquinas do passado. É a boa, velha e nova ‘Jotapê’.

Para o urbanista e consultor do Ministério das Cidades, Edson Leite, a cultura individualista e a má distribuição de renda são algumas das raízes desse crescimento desequilibrado. “Acho que a desigualdade social ainda muito alta é um fator complicante, gerando segregação social e pouco sentimento de pertencimento, ou ainda, pertencimento muito específicos: condomínios fechados, favelas, e outros enclaves sociais e urbanos”, explica.

Favelização. Desses problemas que João Pessoa enfrenta, um é o fenômeno da favelização. Praticamente todo bairro de João Pessoa tem a tiracolo uma comunidade para chamar de sua.

“Esse é um processo claro de um problema gerado pela extrema má divisão da renda, tanto socialmente quanto regionalmente. Isso é alimentado ainda pelas ações especulativas na produção do espaço urbano, que aumenta o preço da terra, tornando a ocupação informal a única solução para localização de muitas famílias”, disse o especialista.

O urbanista é ácido nas críticas, mas enfático ao dizer que não dá para esperar sentado pela boa vontade dos governantes. “É óbvio que temos uma função importante. Até porque em uma democracia ‘todo o poder emana do povo’, e é o povo quem tem o poder de eleger os gestores. Mas, existem fatores culturais que temos que nos corrigir, o ‘pensar coletivamente’ em substituição ao ‘pensar individualmente’ “, concluiu.

A reportagem completa em comemoração ao aniversário de João Pessoa pode ser conferida na edição especial desta quarta-feira do jornal Correio da Paraíba.

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