sexta, 28 de julho de 2017
Cidades
Compartilhar:

A tessitura literária de JP: escritores veteranos e novatos se misturam

André Ricardo Aguiar, especial para o Correio / 05 de agosto de 2015
Foto: Divulgação
João Pessoa vista de dentro, de quem se acostumou a morar depois de ter saído do interior desde cedo. E a leva, o êxodo de quem vem do interior hoje abriu mais, gente que vem atrás de sossego – ainda que essa ideia tranquilizadora tenha ressalvas, o mundo hoje não está fácil.

Vejo que as praias continuam as mesmas. Não sou muito de praia, mas de ouvir falar passo adiante. E falar em orla, tínhamos mais bares ou bar é uma coisa que sempre há de existir?

Lembro que há 15 anos a cena artística (que sempre existiu) era algo nebulosa para mim. Hoje parece mais atuante, mais diversificada. A visão particular minha vai interferir na realidade do depoimento. A minha é muito mais literária, mais voltada ao meu universo particular.

Acho limitador o termo geração. Hoje vejo que gerações se misturam, as vigências estão em pleno vapor com quem tem mais de 30 ou menos de 30 anos. Em termos editoriais, publicamos muito mais hoje, as editoras estão em diversos nichos. 15 anos atrás, não parecia tão fácil. Publicar era um privilégio, também um terreno arenoso.

As redes sociais ainda não existiam, pelo menos, tal como são hoje, com o onipresente Facebook e suas grandes possibilidades de marketing e publicidade voltado ao fazer literário ou outros afazeres.

Também, ao longo dos 15 anos, tivemos uma escalada de novos eventos, como o sarau (sei que sarau é coisa antiga, mas o sentido que emprego tem como adjacências tudo o que é de hoje, incluindo o toque virtual, youtube, instagram, twitter) as mesas redondas, os lançamentos com esse algo a mais.

O espaço para lançamentos de livros ficou mais aberto, o cenário ficou informal; em vez do salão, o espaço entre o palco e as mesas dos botecos. Em vez do apresentador oficial, depoimentos gravados em vídeo ou simplesmente o livro que fala por si só.

Novos grupos se firmaram - e eu cito o Clube do Conto, iniciativa que, pelo tempo, já é algo a merecer estudo. Dos componentes da banda, muitos se misturam nos tempos, e estão aí, conquistando seu espaço.

Evidente que não posso lembrar de tudo o que passou, como passou - se é que passou tanto assim. 15 anos são um pulo. Há muita dialética nisso. O tanto que se conquista tem seu preço. O tanto de mobilidade tem o outro lado. Há viagens e viagens. O espírito de uma cidade não se captura apenas com um olhar. Tem que ser tecido por uma coletividade, o texto precisa de inúmeras mãos para conquistar a vista completa de uma cidade.

Mais sobre o Caderno Especial dos 430 anos de João Pessoa no Jornal Correio da Paraíba desta quarta-feira.

Relacionadas