quinta, 24 de maio de 2018
Cidades
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A jornada de trabalho delas não acaba no fim do dia

Mislene Santos / 12 de agosto de 2016
Foto: Arquivo
A declaração do ministro da Saúde, Ricardo Barros, que os homens procuram menos os serviços de saúde porque "trabalham mais" que as mulheres e "são os provedores" da maioria das famílias provocou um grande alvoroço em todo o país. Entretanto, com base em dados do IBGE sobre trabalho formal ele está correto. Há mais homens com uma carga horária maior que mulheres. O que o ministro não levou em consideração foi a dupla e, às vezes, até tripla jornada informal que sobrecarrega a mulher.

Para a professora da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Leidiane Souza de Oliveira, a mulher praticamente trabalha o dobro que o homem. “Se observamos, até nos momentos de lazer elas estão trabalhando, pois ficam cuidando dos filhos. Em casa a mulher tem uma rotina dura com o trabalho doméstico e até quando ela paga por esse serviço quem o faz é outra mulher que também tem sua casa para cuidar”, declarou a professora que tem um grupo sobre feminismo e luta de classe.

Leidiane argumentou que enquanto houver a divisão sexual do trabalho doméstico, esta disparidade de carga de trabalho continuará. “ Além de trabalhar fora de casa, a mulher tem que arrumar a casa, fazer comida, feira, cuidar dos filhos, o que acaba tomando praticamente todo o seu tempo”, ressaltou a professora.

É o caso de Josineide Bezerra. Ela é secretária do lar e cuida  de todos os afazeres da casa de seus patrões com todo zelo e cuidado. Sua jornada de trabalho formal começa às 6h e vai até as 14h. Mas nesse horário a única carga de trabalho que termina é a formal. Encerrado o expediente ela segue para outra etapa: sua casa, onde cuida do marido e dois filhos.

"Meu marido me ajuda em algumas tarefas, mas o geral mesmo fica para mim. Os meninos já estão adolescentes e pelo menos não preciso me preocupar em dar banho e comida na boca, como quando eles eram pequenos. Ah, nessa fase deles pequenos era bem pior. Sem falar quando eles adoeciam que eu passava a noite acordada cuidando", relata Josineide.

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A pesquisa em saúde

Pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde apontou que quase um terço (31%) dos homens brasileiros não tem o hábito de ir aos serviços de saúde para acompanhar seu estado de saúde e buscar auxílio na prevenção de doenças e na qualidade de vida.  Em muitos casos, os homens pensam que não ficam doentes ou têm medo de descobrir enfermidades, além de sentirem que esse cuidado pode interferir na sua imagem de cuidado com a família.

55% dos homens entrevistados para a pesquisa disseram que não buscaram os serviços de saúde, pois nunca precisaram.

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