terça, 22 de agosto de 2017
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A história da Avenida Epitácio Pessoa e de quem viu “o caminho se abrir para o mar”

Aline Guedes / 05 de agosto de 2015
Foto: Rafael Passos
A Avenida Epitácio Pessoa é a ponte de asfalto que liga o Centro e a Praia, o antigo e o novo na memória da cidade. Atualmente é movimentada, artéria comercial que atravessa vários bairros. Mas, não é só nisso que reside a importância da Epitácio, e sim em sua história: ela é símbolo do desenvolvimento de João Pessoa, que, ao contrário da maioria das cidades litorâneas, nasceu do meio e, aos poucos, rumou para seu Litoral.

Achar uma casa em meio a tanto frenesi de carros e comércios é como procurar uma agulha num palheiro. Mas, ainda há uma remanescente dos tempos onde ver a avenida era como testemunhar o futuro se desenhando: dona Socorro Coimbra viu o caminho para o mar se abrir.

O RG denuncia 78 anos, mas a memória de dona Socorro é lúcida, fresca como de uma jovem. Ela lembra de quando trocou Princesa Isabel por João Pessoa ao lado do marido, Mirom Coimbra Maia (já falecido), em 1973. “Era o nosso sonho. Mirom queria que nossos filhos estudassem em boas escolas, coisa que na época só existia na Capital. Ele falava: quero ver meus filhos todos ‘doutor’”, recorda.

E a Epitácio foi o lugar escolhido. Os filhos Cidilene, Francisco e Severino chegaram já adolescentes na Capital. A avenida era novidade e, por isso, já era relativamente movimentada. “Ainda lembro que atrás da casa passava um bonde e a avenida já tinha um certo trânsito. Mas, era bem mais tranquilo. Tínhamos mais liberdade de passear por aqui”, recorda Severino Coimbra, único filho ainda vivo. Hoje, além dele e a matriarca Socorro, mais oito pessoas – entre filhos, netos e sobrinhos – moram na casa.

As lembranças são muitas e dona Socorro afirma recordar de como a cidade evoluiu com o crescimento da via. “João Pessoa era uma cidade tranquila, pacífica. Conhecíamos todos os nossos vizinhos, alguns deles amigos de gente ilustre, já que, na época, a Epitácio Pessoa era reduto de gente de posses, como a mansão dos Pires”, conta dona Socorro, se referindo à residência de Creusa e Adrião Pires, famosos por hospedarem autoridades e artistas que visitavam João Pessoa. A mansão ficava no fim da Epitácio Pessoa.

Minha casa mesmo era de muro muito baixo e a entrada era fechada apenas por uma grade pequena. Se esquecêssemos aberta, não tinha problema. Era tudo muito tranquilo. Hoje, não dá para dispensar a cerca elétrica. Moro no mesmo lugar, mas são outros tempos”, lamenta.

A reportagem completa com toda a história pode ser conferida na edição especial desta quarta-feira do Jornal Correio da Paraíba.

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