quinta, 22 de fevereiro de 2018
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71 mil ataques cibernéticos em um mês e mundo virtual vira fábrica de crimes

Bruna Vieira / 11 de julho de 2016
Foto: Divulgação
Segundo o Mapa de Ameaças Digitais, divulgado pela PSafe, a Paraíba recebeu 71.030 ataques cibernéticos somente no mês de maio. Isso equivale a 95 incidentes por hora. Programas, aplicativos, páginas Web, invasões por hackers, arquivos infectados, mídias removíveis, códigos maliciosos (malwares). As portas de entrada são muitas e nada é totalmente seguro. Hábitos dos usuários podem facilitar a entrada de malwares. Para aumentar a segurança na internet, vale a pena investir em antivírus e adotar ações simples, como não salvar as senhas automaticamente.

Os dados foram coletados a partir das tentativas de ataques bloqueadas pelo PSafe TOTAL, aplicativo de segurança e performance para smartphones com sistema operacional Android, que possui mais de 75 milhões de downloads e 21 milhões de usuários ativos. O app barrou mais de 1 milhão de ataques no Nordeste, segunda região mais visada. As ameaças mais detectadas foram o trojan e as propagandas maliciosas (adwares).

Marco DeMello, CEO da Psafe, alerta que quanto mais conexão, mais risco. “O brasileiro é um apaixonado por smartphones e outros dispositivos móveis. Recentemente, o número de pessoas que usam a internet por meio desses devices ultrapassou a marca de 72 milhões. Esta paixão, é claro, faz com que hackers e crackers tenham identificado os dispositivos móveis como uma grande oportunidade para roubar dados e aplicar outros golpes e crimes. Para se ter uma ideia, todos os dias o PSafe Total bloqueia mais de 500 mil páginas infectadas e mais de 130 mil ameaças de malwares, números que mostram a importância de se criar no Brasil uma cultura de segurança virtual com a manutenção de dispositivos seguros”, afirmou.

 

ciber

As ameaças

O trojan é um programa malicioso que se disfarça de software legítimo, responsável por mais da metade das tentativas de infecção. É como uma “ogiva” que possibilita que uma série de outras ameaças invada o sistema operacional. O segundo mais detectado foi o Adware, que permite a exibição excessiva de propaganda, levando o usuário para sites falsos (phishing) de compra ou bancário.

Ameaças mais detectadas na Paraíba

Trojan - 40.518

Adware - 11.804

Riskware - 4.936

PUA  - 1.790

Other - 785

Nada é seguro

A vulnerabilidade inicia em falhas dos próprios desenvolvedores de aplicativos. Quanto mais fácil de utilizar, menos seguro é. “A funcionalidade é inversamente proporcional à segurança. O desenvolvedor pensa na experiência mais amena para o usuário, que não requeira conhecimento mais aprofundado para operar e quando pensa só na funcionalidade, algumas vezes esquece a segurança e deixa algumas brechas. A segurança eletrônica (de equipamentos informatizados) corresponde a 35% da segurança da informação”, explicou Niedon Almeida, especialista em segurança da informação.

Deixar a senha exposta é um comportamento de risco do usuário. “Quem tem dificuldade de lembrar e coloca num post-it no monitor desfaz a ideia de segurança e autenticação daquele usuário. Para aumentar a segurança, é necessário tomar atitudes e a instalação de antivírus, mesmo os que não são gratuitos, têm baixo custo. Existem fóruns que fazem críticas, tem a seguridade da própria loja (mantenedor). Quando os apps são submetidos, têm que atender algumas regras e teste para ser aprovado. Há criptografia também é um recurso. Mas, isso não gera segurança total. As atualizações são importantes, porque conseguem identificar falhas e vulnerabilidades”, destacou Niedson.

“Antes, o medo era com o computador. Com o smartphone, os ataques aumentaram exponencialmente, porque a quantidade de dispositivos conectados é grande. Não só estes, como a smartv. Houve um caso em que um casal foi flagrado na intimidade só porque a TV estava ligada e tinha câmera. O risco é maior ainda com o advento da internet das coisas, em que ar condicionado, geladeira e outros equipamentos são controlados e estão conectados em rede”, concluiu o especialista.

“Na verdade, nada é seguro. Não tem nada que faça aferição ou um selo de qualidade que diga que aquele aplicativo é seguro. Uma alternativa é consultar outras pessoas que já usaram e saber se tiveram algum problema. Se acontecer, deve-se denunciar ao mantenedor, que notifica ou elimina” – Niedson Almeida, especialista em segurança da informação



Dicas para estar mais seguro:

Criar senhas mais complexas (alfa-numérica)

Não colocar o próprio nome na senha

Não deixar senha gravada

Em rede sem fio (roteadores) ocultar nome da rede

Ter um mecanismo de recuperação de dados de smartphone em caso de perda ou roubo

Durante viagem, não deixar notebook exposto, guardar sempre no porta-malas

Internet 1

Jovens tentam se proteger

Ana Vitória Domingos, 17, ganhou o primeiro celular aos 13, mas, só começou a utilizar a internet móvel em 2014. Ela diz que se preocupa com a segurança, mas, não adota todos os comportamentos ideais. “Eu só baixo aplicativo se eu achar que é seguro, vendo o que os outros dizem sobre, as estrelinhas. Link e outras coisas que compartilham eu nunca acesso. Senha só na tela do aparelho, para caso de roubo ou furto. No computador de casa deixo a senha do email salva, porque poucos tem acesso”, contou a estudante.

Já Marta Lima, não usa nenhum tipo de senha. “Se por acaso eu perder, não há nada de comprometedor. Não salvo nenhum dado em computador, como documentos ou senha. Não confio, vai que um hacker entra. Já fizeram isso no meu Facebook e até hoje não sei quem foi. Tive que fazer outro, mas, nunca consegui cancelar a conta antiga”, disse a jovem.

“Acho desnecessário colocar senha em fotos ou aplicativos. Uso só na tela e acredito que é segura, ninguém nunca vai descobrir. Não salvo senha em nenhum dispositivo, porque outra pessoa pode entrar. Baixo tudo que compartilham comigo, porque sei que são amigos, então confio”, Regina Lima, 15.

Riscos na internet:

Acesso a conteúdos impróprios ou ofensivos

Furto de identidade

Furto e perda de dados

Invasão de privacidade.

Divulgação de boatos

Dificuldade de exclusão

Dificuldade de detectar e expressar sentimentos

Dificuldade de manter sigilo

Uso excessivo

Plágio e violação de direitos autorais

*(Fonte: Cartilha de Segurança para Internet)

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