domingo, 20 de maio de 2018
Ação social
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Muitos aproveitam a Páscoa para ajudar, mas entidades trabalham nisto o ano todo

Lucilene Meireles / 01 de Abril de 2018
Foto: DIVULGAÇÃO
O Domingo de Páscoa é o dia em que se lembra a ressurreição de Cristo e muita gente aproveita a data para fazer algo em prol de outras pessoas. A atitude é louvável, mas há os que vão além e se desdobram o ano inteiro para ajudar o próximo, seja oferecendo alimentos, roupas, um banho, conhecimento ou uma palavra de conforto.

Quem anda pelas ruas de João Pessoa certamente já se deparou com a equipe da Comunidade Filhos da Misericórdia, que fica no Bairro dos Ipês. Onde tem morador de rua, eles estão lá. Promovem um 'banho da misericórdia' para mais de 100 pessoas que não têm uma casa, distribuem roupas e alimentos, levam palavras de fé.

João Bosco Gregório de Andrade é voluntário e um dos coordenadores dessas ações. Ele está entre os que colocam sempre a caridade e o desejo de ajudar em primeiro lugar. “É um trabalho de pastoral de rua, em que levamos alimentos para os moradores todos os dias da semana, com exceção da quarta-feira, que é o dia da evangelização na igreja”, disse.

“Ajudamos pessoas que vivem na rua, dependentes de álcool e drogas. Alguns são daqui e a maioria tem família, mas são lares desestruturados. Eles ficam muito felizes quando a gente chega, sorriem, nos chamam pelo nome, já nos conhecem. Agradecem. São mais de dez anos com esse trabalho, e outras pessoas, de outras religiões, estão fazendo também”.

Como é o trabalho. São cerca de 120 quentinhas, pão, água, café e suco. Na quinta e no sábado, tem o banho da misericórdia. A água morna é transportada numa caminhoneta. O grupo conta com dois banheiros e, para o banho, fornece shampoo, condicionador, sabonete, além de cabeleireiro, na Cracolândia.

No final, as toalhas fornecidas são recolhidas e levadas para uma lavanderia que lava e esteriliza como cortesia. “Temos muitas mãos para ajudar”, comemorou Bosco, que contam com 170 voluntários.

Nas quintas-feiras, os beneficiados são os moradores de rua que ficam nas imediações do Mercado de Peixe de Tambaú. O banho também acontece por lá e, no sábado, na pracinha do Bompreço. No domingo tem um café da manhã especial. Nesse dia, a equipe leva 40 kg de munguzá, 150 pães com mortadela, café com leite, água, suco.

Durante a semana, porém, embora as quentinhas sejam distribuídas à noite, o trabalho começa por volta do meio dia. A cozinheira prepara arroz, feijão, frango, macarrão, cuscuz. Por volta de 17h, os voluntários organizam as quentinhas. Às 19h30, é hora da entrega que é precedida de orações.

“Contamos com restaurantes que nos ajudam com os alimentos”, destacou Bosco, mas segundo ele, as doações são sempre bem vindas.

Projeto já beneficiou 5 mil jovens

Crianças e adolescentes em situação de risco e vulnerabilidade social são, há sete anos, o alvo dos voluntários que atuam no Projeto Mãe da Ternura, na Comunidade Doce Mãe de Deus. A iniciativa conta com espaços nos bairros Cristo Redentor e Ernesto Geisel, em João Pessoa.

A ação consiste em oferecer oficinas, esportes, artes e leitura, e é baseada em um projeto originário de Palmas (TO), realizado por todo o país. Na Capital, já beneficiou mais de 5 mil crianças e adolescentes, e envolve voluntários em diversas áreas, que se desdobram para fazer a diferença na vida de quem não vê esperança no futuro diante das dificuldades.

Adriana Norat coordena o projeto na Paraíba. Ela contou que o trabalho começou quando, em Palmas, um grupo de missionários percebeu que muitas crianças e adolescentes estavam em vulnerabilidade, com risco de envolvimento com drogas, trabalho infantil, exploração sexual. “Passamos para elas uma esperança de vida, com novas perspectivas. Sempre que tem crianças vulneráveis, trabalhamos para tirá-las do risco”, relatou. Há, inclusive, alunos que se tornaram voluntários.

“Às vezes, quando chegam, elas são agressivas. Fazemos um trabalho de convivência e já existem muitos sinais das crianças e adolescentes que enveredaram por um caminho melhor, que trabalham e têm uma perspectiva. Isso é muito gratificante”, afirmou.

Parcerias mantêm projeto. Atualmente, são atendidas cerca de 60 crianças com idade entre 6 e 17 anos. Elas contam com oficinas socioeducativas de esportes, como vôlei e futebol; artes, quando têm contato com instrumentos musicais, dança, teatro que acontecem aos sábados em turmas pela manhã e à tarde. Além disso, há o momento da leitura e produção de texto.

“Percebemos a dificuldade que elas têm na aprendizagem. Crianças com nove, dez anos não sabem ler ou escrever direito”, disse a coordenadora. O projeto conta com psicólogos e assistentes sociais, mas são poucos profissionais. Para tentar suprir, essa carência, a cada dois meses acontecem ações com fonoaudiólogo, dentista durante um dia inteiro.

As famílias também são acompanhadas e há distribuição de alimentos: lanches durante as oficinas; e um sopão, nas quartas-feiras. Para isso, a comunidade firmou uma parceria com o Banco de Alimentos e o SESC Mesa Brasil. “Sempre temos a perspectiva de apoiar e dar esperança, porque a realidade deles é muito difícil, violência, pais presos, pais dependentes, famílias desestruturadas”, disse.

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