domingo, 20 de maio de 2018
Abuso
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Vítimas de violência doméstica relatam que os maridos são os principais agressores

Beto Pessoa / 08 de Março de 2018
Foto: Assuero Lima
Os casos sobre violência sexual doméstica não são difíceis de encontrar. Maria Silva (nome fictício) tem 36 anos. Aos 14 anos, se casou com um homem de 21, com quem teve dois filhos. A primeira aos 14 e o segundo aos 16. Em pouco tempo, seu primeiro amor se tornaria também o responsável por traumas que até hoje a impedem de iniciar um novo relacionamento.

“Ele passou a me tratar mal. Começou com agressões verbais, depois começaram as físicas. Primeiro eram empurrões, depois empurrões mais pesados, até que ele me dava murro de deixar o olho inchado”, recorda.

Por 20 anos, Maria conviveu com seu agressor, relação à base de medo e violências das mais diversas. “Ele me proibia de sair na rua, para ninguém me ver machucada. Eu não podia trabalhar, não podia estudar, tinha que depender dele. Mesmo com medo, comecei a sair na rua e, quando os vizinhos perguntavam, eu dizia que estava roxa por ter apanhado, foi aí que ele começou a se assustar ao me bater”, disse.

Durante o dia, eram murros e gritos, durante a noite, ela era forçada a ter relações sexuais com o agressor. “Eu não queria mais transar com ele, eu pedia para não fazer. Mas ele me forçava, me segurava e me obrigava. Até um dia que eu, de tão desesperada, disse que se ele me estuprasse mais uma vez eu iria gritar para todo mundo ouvir. Foi quando separamos as camas e cada um foi dormir no seu canto”, recorda.

Contra a vontade do marido, Maria passou a trabalhar de diarista, para ter alguma independência. Insistia para que o agressor saísse de casa, pois não tinha para onde ir com os filhos, mas o esposo tentava vencê-la pelo cansaço. “Toda noite eu achava que ia morrer. Porque eu deitava e ele ficava me observando, dando risadas altas, passando botando medo, fazendo terror psicológico”.

Apesar de tudo, Maria jamais denunciou seu agressor. “Eu sabia da Lei Maria da Penha, mas tinha medo de denunciar. Por ser evangélica, achava que orando bastante ele mudaria, que voltaria a ser bom. Já fiz terapia, para superar tudo isso, mas quando conheço alguém tenho medo, acho que vou passar pelo que passei com ele. Continua sendo difícil para quem foi agredida”.

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